Era apenas uma almôndega mas pensava que, como um tambor que faz tanto barulho não é cheio se não de vento, ou como o mar, com tantas marés e ondas, não passa apenas de água, também ela não passava de uma bola de carne. Pensante, porém...
julho 25, 2008 |
Saudade.

Calou-se o vento. Agora ouço apenas, latejando no interior de mim, essa saudade de ti, assim sonhando, que é de dormir a hora que passa…Sinto-me tremendo, se tremenda puder ser a dor de te saber longe, ainda que o pulsar do meu peito diga que estás aqui, sorrindo esses sorrisos que são teus e nossos quando caímos nos braços do amor e nos deixamos adormecer enlaçados. Que saudades sinto de ti, timoneiro do meu barco, dono do meu mar! Como te sinto perto, falando-me em tom carinhoso ao ouvido, mesmo se olho e sei que não estás aqui agora. Agora que se calou o vento, e que o calor volta a tomar conta dos corpos abandonados no sonho da madrugada, ainda os olhos tenho bem abertos e já tu entras pela vontade de te sonhar nesta noite. Sou tua, sonhando acordada com esse momento que há-de ser o do reencontro. Adivinho o sabor dos teus beijos, e esse sorriso que é teu, e que é nosso quando chego e me deixas entrar no teu mundo. Amo-te, sabes?
Sentido por carlapteixeira em 01:42 AM
| Respostas sentidas (1) |
|
março 19, 2008 |
Dueto antigo III
Passeavas no meu sonho esse teu olhar de luz. Algo em mim insistia para não deixar cair no brilho a minha escuridão. A este bailado por entre farrapos sem côr, talvez me juntasse eu mais tarde, mas para já vou-me embalando cegamente à tua luz tão própria e ao mesmo tempo tão minha também. Com movimentos enleantes de valsa, dei largas à imaginação e deixei-me ofuscar à sombra do teu orgulho de ser como sou. A valsa, de tão falsa que soava, não se intimidava no meu chá dançante e fazia-se pavonear no meio do salão. Dança comigo... Dança. Mas guia-me com a luz do teu coração.
Luís
Há-de vir o poeta.
Sentirá o meu chamamento
Aqui o espero, em silêncio contido,
Na ausência feita de saudade
E do tempo que afasta o sono.
Há-de sentar-se aqui, o poeta.
Falando e sorrindo, como ontem,
Como tantas vezes falou e sorriu.
Ouço o mar e a Lua
Que nele se deita, pensando como eu
Nas idas e vindas dos barcos,
Nas viagens feitas de lágrimas.
Há-de vir o poeta.
Carla
Sentido por carlapteixeira em 11:59 PM
| Respostas sentidas (0) |
|
Dueto antigo II
Havia no mar aquele cheiro a saudade... Trazia com ele o medo arrancado com unhas de papel. Ao odor forte e doce juntei-lhe a minha lágrima desfeita ao luar de tantas noites tão claras. O meu sopro de vida ia e vinha ao sabor desta maré tão nua e despida de despedidas. Vestia na alma réstias de esperança em frangalhos e molhos d'água nos olhos tão secos. Nada nadava a meu lado, a não ser um ser tão fragilmente ágil em águas carregadas de minhas mágoas. Mas não me sentia sozinho... tu estavas a meu lado.
Luís
Não havia medo. Só saudade. Só o mar que ela vertia em lágrimas, pensando como tu, que não estava presente. Ela estava. Também, como tu, amava, sonhava e sorria diante daquele mar de sargaços e madrugadas partilhadas que ainda estavam para vir. Ela também amava o mar e aquele cheiro a saudade. A magia. Os olhos secos, a alma nua, as despedidas que queriam sempre evitar. Sofriam, distantes, mas ali, lado a lado, estavam sempre juntos. Tu, poeta, tu estiveste sempre lá.
Carla
Sentido por carlapteixeira em 11:54 PM
| Respostas sentidas (0) |
|
Dueto antigo
Era tempo de novos heróis. Os dados estavam lançados e o carrocel no meio da estrada. Faiscavam pequenas estrelas sem dono nem lei, e iam-me acompanhando à boleia de fé em coisa alguma. Ao som estridente da minha distracção saltava barreiras ao meu lado, num qualquer desassossego alinhavado com tamanha direcção errante, qual fio de condutor descartado e sem carta. De tempos a tempos eis-me parado à espera de sinais transitados de um código inventado por ti. Sem a cábula para me amparar as quedas, não dava sequer tempo para milagres agridoces. Fazia-me valer da qualidade implícita de saber adivinhações. Resta-me esperar por ti...
Luis
Ganha-se quem assim se perde, vertendo em palavras o sumo da vida, essa existência tão alucinante quando egoísta tantas vezes. Faz-se o poeta desse sonho que se mistura com ele mesmo, e com o poder das emoções travestidas em sílabas alinhadas no silêncio da alma. Dá-se o homem ao sonho, e da magia que floresce dessa dádiva brota a sinceridade de quem ousa ser. Ser simplesmente, ou viver recusando existir apenas. Nasce o poeta nas odes de um grito que ecoa no fundo de ti. Um grito a que não resistes nem ofereces luta. Deixas-te fluir na bruma que toma conta de ti, e nesse calor que emana do teu olhar, esquecido, quase lânguido, não fosse o silêncio e a distância que nos agrilhoa, pesadas, as almas condenadas. Tenho sempre saudades tuas.
Carla
Porque foi na poesia que tudo começou.
Porque é em poesia que tudo nos envolve ainda...
Amo-te!
Sentido por carlapteixeira em 11:48 PM
| Respostas sentidas (0) |
|
janeiro 06, 2008 |
À espera...

«A persistência da memória», Salvador Dali
O tempo esvai-se em finas gotas de nada… O silêncio denuncia a madrugada, expectante, fervilhando já dessa azáfama de saudades assassinadas que, mais logo, seremos nós. O relógio, lento, quase parado, espera. À espera do tempo do tempo, esse tempo nosso, em que temos finalmente tempo para as conversas do olhar, do sorriso, da candura pousada nas mãos que se entrelaçam ao cair da noite. O tempo é inclemente, sem paixão nem pressa, sem desejos amorosos para fazer cumprir. Mas nós, eu e tu, ansiamos em quase desespero pelo momento que há-de ser o momento do reencontro. Espero-te aqui, e tu aí, tão longe, ainda que perto te sinta no cheiro, no calor da alma, na brisa que me sopra e quase implode o coração ansioso. Como se arrasta na demora, este relógio malvado! Como demora o tempo de ter tempo para trocar abraços e saborear a magia dos beijos…
Sentido por carlapteixeira em 08:23 AM
| Respostas sentidas (1) |
|
janeiro 01, 2008 |
Preciso de ti
Nasço pela manhã,
Quando acordo
Num sorriso de quem
Te vê ainda a dormir.
Desfaço-me na poesia encantada
Nesse momento que a alma
Me grita ao coração…
Sinto uma lágrima feliz
Que escorre no meu despertar,
Na emoção deste encontro,
Mágico,
Logo assim, pela manhã…
Preciso de ti.
Acordo e tu ainda dormes,
Deleito o meu olhar no rosto
Que sonhei ao teu lado,
A noite inteira, todos os dias
Do mundo…
Preciso de ti ao acordar.
Lápis imaginado,
Desenho no teu semblante que sonha
A magia do meu despertar,
Dos dias que se atropelam, na ânsia
De outros dias, de ti, de nós!
Preciso de ti!
Sorris sempre ao acordar,
E um sorriso – esse teu sorriso –
É tudo o que preciso
Nesta manhã,
E em todas as manhãs,
Nas tardes, nas noites, nos sonhos,
Em toda essa vida que és,
Que me dás.
E como preciso de ti…
Sentido por carlapteixeira em 10:42 AM
| Respostas sentidas (1) |
|
setembro 24, 2007 |
Feliz!
Sinto-me planar.
Nas asas de um vento suave
Descubro-te num sorriso,
Num olhar que me dá vida,
Que me ampara
No desamparo dos dias.
Perco-me em ti,
Mãos dadas, tempo nosso,
Beijos, memórias, saudade...
Sei quem és, e que és parte de mim.
Chegas numa nuvem de magia,
E é nosso o mundo,
O tempo parado em nós.
Desfaço-me diante do teu jeito,
Esse jeito de amar que é teu,
Puro, delicado, másculo também!
Amo-te nessa fúria que sou
Vertida em ti, ancorada, perdida,
Encontrada no teu abraço
Partilhado ao fim da tarde,
Quase clandestino.
É tão breve o momento,
Mas igualmente mágico e sublime,
Como todos os momentos
Que assim tornamos nossos.
Perco-me na miragem de te ver,
E antes de te saborear perto
Sei que já terás de partir.
Choro, rio, vibro e vivo
Contigo, por ti,
Em ti, amando-te assim.
– E como te amo! Tanto, tanto...
Na tua generosidade,
Nesse encanto que é apenas teu,
Quando sorris,
E se ficas sério, reflectindo.
Nas tuas hesitações,
Até no ritmo lento do pensamento,
Fazes-me feliz.
Na gula com que me olhas,
Essa arte com que me saboreias,
O tactear experimentado
No meu corpo suado, exaltado, amado,
Nessa brisa de amor
Que são os beijos que trocamos,
No tempo, na saudade, no mar revolto
Em que nos transformamos,
Fazes-me feliz.
Sentido por carlapteixeira em 11:25 PM
| Respostas sentidas (1) |
|
setembro 22, 2007 |
Dois anos...
O que é o tempo? Dois anos podem ser tanto e tão pouco. Podem soar a dois dias, se nos parece que o tanto que já tivemos será ainda uma curta parte do tanto que ainda teremos, e podem soar à eternidade permitida na duração das vidas humanas, quando o amor para sempre se escreve nos olhos de quem ama como nós amamos.
O que é o tempo para os amantes? O que é um dia sem ti, que dura todo o vagar do mundo, e um dia contigo, que se escoa na pressa das horas e nos foge como areia por entre os dedos? O que vale o tempo, se parece não correr na distância dos nossos corações, e se alvoroça, precipitado e doido, nos beijos e nas juras de amor que trocamos?
O que é viver, se a minha vida se colou à tua e só vivo nos momentos em que estás, a mão na mão, os olhos pousados com essa candura sem palavras nos meus que também te sorriem? O que é o tempo sem o teu sorriso, se é por ele que pulsa este meu coração? O que é o tempo sem os teus olhos, se são eles, nessa magia que derramam, que me trazem os momentos que vale a pena viver?
O que é o tempo sem ti, se apenas contigo sinto que vivo e que existo? O que é o tempo sem saudade, se ela existe assim que partes, e me esgana, implacável, até ao momento em que te vejo chegar e voltas a sorrir-me e a ver-me prostrada num encantamento que não sei embrulhar em palavras, e que só eu e tu entendemos?
O que são as palavras, se as mais belas não bastam para dizer o que te digo com os olhos, com os beijos, com a mente em romaria onde tu e eu - só tu e eu - dançamos sem mundo à nossa volta? O que é o tempo, se todo o tempo do mundo não chega para te dizer o quanto te amo?
Feliz aniversário, namorado!
Foram dois anos de pura magia... Amo-te.
Sentido por carlapteixeira em 10:56 PM
| Respostas sentidas (0) |
|
agosto 29, 2007 |
Silêncio

Silêncio. O som do nada, vazio, reticente. O silêncio que dói, a palavra seca, negada, sentida no sabor das lágrimas. Quero calar o silêncio, e amarrar-te num abraço suado da saudade. Não sou capaz. Há em mim qualquer coisa, um tremor, vacilando... E o silêncio. Esse som que não se ouve, e que mesmo assim queima os ouvidos. Esse nada que dói na pele e na alma, que ensombra os sorrisos que deixei por aí, perdidos, vazios. Sombras do que sou, ou do que fui. Nada. Só o silêncio me povoa. Só o vazio me enche. E o silêncio...
Sentido por carlapteixeira em 11:27 PM
| Respostas sentidas (0) |
|
agosto 23, 2007 |
És
És o tempo que me ensina a contar os passos que dou, és o sonho que faz valer a pena adormecer e acordar sorrindo, és a vida que quero viver, uma história que quero contar... És a luz que ilumina todos os pequenos cantinhos da minha alma, e que se transfigura em sombras odiadas quando às vezes se apaga sem aviso... És a magia da noite que faz nascer o dia, és a claridade do sol no brilho de todas as luas. És tu. És eu. És a minha vida.
Amo-te. Sempre.
Sentido por carlapteixeira em 09:03 AM
| Respostas sentidas (0) |
|
|